sábado, 19 de março de 2011

Lua no Perigeu!

Aproveitando o intervalo entre golfadas e fraldas, queria anunciar aos meus 3 leitores que hoje é o dia pra dar uma olhada na Lua! (informações aqui também).
Se não for possível, olhe amanhã... afinal de contas, ela não vai reduzir de tamanho de uma hora pra outra.
Hoje, no RJ, ela começa a despontar no horizonte à 17h50, melhor momento para vê-la.
Até!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Fechando o Ciclo

Escorpião é uma das constelações mais tranquilas de se memorizar. Não é preciso muita cerveja para reconhecer um escorpião nela.
O telescópio chegou ano passado nessa mesma época e ela foi uma das primeiras que observei.
Na época foi uma conquista tirar uma foto do aglomerado de Ptolomeu (aquele carinha mencionado nas aulas de história e que em 140 AC jurou que tinha uma manchinha ali). Hoje em dia, a mesma foto é "trivial".

A região de escorpião é muito interessante, mesmo para binóculos, e sua cauda ameaça espetar o centro da Via Láctea. Não surpreende que essa área densamente "povoada", tenha vários pontos de interesses.
Na imagem abaixo marquei apenas alguns.
Acorde antes do Sol e olhe para direção de onde ele surge. Clique na imagem para ampliar.

Aglomerado de Ptolomeu (M7) ao centro da foto - se parece com um quadrado com braços e numa noite bem escura, pode ser visto a olho nú como se fosse uma estrela fraca.
Aglomerado Borboleta (M6) ao centro, lado esquerdo. Com um pouco mais de cerveja, é possível ver o contorno de uma borboleta.
A Nebulosa da Lagoa (M8) se encontra oficialmente na constelação de Sagitário, mas é mais fácil achar ela tomando-se o Escorpião. Tem magnitude 5.8 e fica próximo ao limite do meu telescópio na cidade (compare com a magnitude 4 da nebulosa de Órion - cada +1 unid. de magnitude equivale a 2,5x menos brilho).  Daqui a alguns meses, quando estiver mais alta no céu, será possível obter imagens um pouco melhores.

Nebulosa Trífide (M20), com magnitude 6,3, perdida em meio ao ruído de fundo da máquina fotográfica e da poluição luminosa. Como diz o nome, a mesma é dividida em 3 partes. Tem uma companheira azulada na periferia.
Trífide é o limite máximo que o meu telescópio chega aqui em casa. Talvez eu consiga uma imagem com menos ruído daqui a alguns meses ou quando Vênus sair de perto dela.

Não sei qual vai ser a frequência de observações daqui em diante. Ou se a obra em frente a minha casa vai jogar mais luz no céu e acabar com a festa. Ou se a corrosão do meu espelho primário vai continuar. O fato é que o blog subiu no telhado, mas foi por um ótimo motivo (não, ele não foi buscar uma pipa).


Clique na foto - foto-brinde das Ilhas Cagarras via telescópio.
Fail! A ferramenta do blogger não permite que a imagem seja exibida na sua resolução total... fica pra outro dia!









HAVE A NICE DAY!

Repetindo de Matéria

Antes da chegada do ajudante, as coisas estavam corridas (estranho... ainda estão...) e fiquei um pouco desleixado.
Depois de umas fotos ruins do entorno do Cruziro do Sul, tive a chance de corrigir tudo no dia 9 de janeiro.
No dia seguinte à madrugada de fotos notei, olhando em detalhe no computador, que todas as fotos estavam ruins e acabei jogando tudo fora.

Após uma limpeza cuidadosa e troca da graxa das engrenagens, aguardei por uma oportunidade de tempo (entre fraldas) e clima.

A espera acabou dia 21 e 22 de janeiro e essas são as fotos novamente:

Dia 21 -
Aglomerado Kappa Crucis
Foto-brinde da Lua. Destaque para a cratera "dupla" Endymion no lado esquerdo da foto à meia altura.

Dia 22 -

Imagem em cores de Omega Centauri - tratado via DSS. Favor ignorar o tom esverdeado, coisas do céu da cidade grande.
Frame individual da Omega Centauri - novamente, um meteoro ou satélite artificial se meteu na foto.
Poço dos Desejos, em cores.
Nebulosa Carinae
Foto-brinde da Lua ao nascer.
Mesma lua em detalhe após empilhamento no Registax. Repare nos "rastros/caminhos" deixados num dos "mares" ao centro da foto.

Qualquer reclamação, favor me enviar o endereço para eu encaminhar uma ou duas fraldas pesadas e quentinhas.

Ajudante de Astrônomo de Apartamento

Cada vez que eu me especializo, mais tempo demora para iniciar uma sessão de fotos.
Minha esposa não se empolga muito em acordar no meio da madruga para ver estrelas... ela diz que atrapalha o sono...
Contratar um ajudante é impensável então decidir fazer um.
Ele chegou no meio de janeiro, sem manual de instruções e desde então usar o telescópio ficou consideravelmente mais complicado, mas mesmo assim consegui fazer mais três sessões de fotos que fecham o ciclo que se iniciou há um ano atrás, na mesma constelação.
O ajudante parece ser gente finíssima, da melhor qualidade! Tem grande potencial e aposto que em alguns anos ele fará um buraco no teto para instalar algum telescópio 10x maior que o meu.

:-)

Estação Espacial passa de raspão na Lua !!!!!

10/02/2011, em torno das 20h30.

Foto de 15s de exposição em ISO200 - setor cozinha - base de observações da máquina de lavar. Notar Plêiades na extrema direita ao centro.

Evidente que não foi literalmente, mas pra mim valeu uma manchete!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Colimação por Laser de Newtonianos sem Marcação Central do Espelho Primário

Acredito que dê pra notar pelo título que este post é bem específico...
A idéia é que alguém que tenha o mesmo problema que eu tinha, encontre esta sugestão via São Google.
Evite o coma e não leia este post se 70% do título lhe parecer grego.

Na colimação alinha-se os espelhos para permitir que a luz faça o caminho projetado até os olhos sem que ocorra distorção na imagem. No caso de um telescópio Newtoniano, envolve ajustar dois espelhos de modo que a luz, proveniente do objeto observado, seja levada sem distorções até o ponto de encaixe da ocular, no focalizador.

O espelho primário é o espelho parabólico de grandes dimensões que situa-se no fundo do telescópio. O espelho secundário é um espelho inclinado, que "joga a luz para fora" do corpo do telescópio newtoniano. Nenhum destes dois espelhos é igual ao que temos em casa. Na nossa casa, o material que reflete a luz fica embaixo de um vidro, e na parte de trás, uma camada de tinta impede que o mesmo se danifique. No caso de um telescópio, esse vidro iria distorcer muito a imagem. O material reflexivo, portanto, fica em cima de um vidro especial e altamente polido e preciso. Nada impede que o espelho seja arranhado ou mesmo descame ao tocá-lo. Limpar um espelho de telescópio é algo que se indique apenas para casos extremos, quando a imagem aparece prejudicada (camada bem grossa de poeira).

É possível colimar os espelhos de diversas maneiras, eu prefiro utilizar um laser porque considero rápido e prático. A teoria é simples, a parte central do espelho parabólico, tem inclinação de 90º em relação ao tubo do telescópio. Se os espelhos estiverem alinhados, uma laser que viaje pelo centro dos dois espelhos, irá ir e voltar pelo mesmo caminho.

Mais fácil rabiscar que explicar.
Na foto, eu desviei um pouco o ajuste para que o retorno do feixe ficasse visível. Quando alinhado, ele retorna de onde saiu e não aparece.

Colimador laser instalado. Foto mostra o laser indo para o centro do espelho primário e retornando um pouco fora de onde saiu.
O problema no caso é "onde fica o centro do espelho primário"? Alguns fabricantes de telescópio fazem o favor de marcar o centro do espelho (que não afeta a imagem), mas e no (meu) caso de quem não tem esse luxo?

Alguns tutoriais ensinam a colocar um adesivo no centro do espelho, mas é algo que você tem que fazer sem encostar no espelho e sem ter uma segunda chance. Me conhecendo, eu sei que tenho uma boa chance de colar errado ou estragar o espelho, daí o "meu" método indireto...
 
 A proposta não é muito diferente do que já se faz, primeiro atuar no espelho secundário para que o laser acerte o espelho primário no meio, medir indiretamente, re-ajustar e depois atuar no espelho primário para que o feixe volte ao ponto de partida.

Para medir indiretamente o centro do espelho primário, eu faço o seguinte:
Atuando no secundário, eu jogo o laser no espelho primário o mais próximo que eu consigo via olhômetro. Uso as presilhas do espelho (que no meu estão distanciadas em 120º) para traçar retas imaginárias e achar o centro-mais-ou-menos.
Depois tiro uma foto do primário pela parte de cima do tubo:
Repito com uma foto pela parte de baixo:

Depois jogo a foto em qualquer programa de desenho com vetores, qualquer um que possa colocar uma foto e desenhar uma elipse por cima da mesma. No caso abaixo foi o Illustrator.

O quadrado pertence ao ajuste da elipse. As retas devem passar pelos quadradinhos brancos. A elípse deve ser usada por conta do ângulo da foto do espelho, que termina por não ficar com perfil circular.

Deve-se ajustar uma elipse ao contorno do espelho primário, depois pelos 4 pontos de atuação, deve-se passar retas e no encontro destas situa-se o centro do primário. Repita para as duas fotos. Ajuste conforme necessidade, repita, ajuste, tome um whisky, etc... Eu não sou paranóico com o ajuste.. pra mim o da foto acima está bom o suficiente.

E é só... agora é esperar que "minha idéia" gere a Paz Mundial.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Omega Centauri ou “A vizinhança do Cruzeiro do Sul - vol.2”

Existe um aglomerado de estrelas na constelação de Centauro que em locais de boa visibilidade, pode ser confundido com uma estrela. Se observado, porém, com um binóculo, o que se vê é uma grande mancha clara.

Para achar este asterismo, use um binóculo e encontre o cruzamento entre uma linha imaginária que parte do Cruzeiro (ângulo médio aprox. entre Gacrux e Mimosa) e outra que parte da estrela Hadar e sua vizinha.
No telescópio, após aclimatação da pupila, nota-se que a mancha possui uma textura granular.
A fotografia de longa exposição revela um enxame de estrelas de todas as cores e muito próximas, com formato inegavelmente esférico.

Frame individual com brilho realçado,
Frames empilhados no DSS, imagem em P&B realçada.

Detalhe da parte central - imagem P&B gerada após empilhamento de frames.
Talvez ele não tenha ganhado status de galáxia por não ser grande o suficiente, mas ele impressiona. Se houver algum planeta em meio àquele amontoado de estrelas, imagino que deva ter um céu noturno bem interessante (se é que chega a ficar escuro). Alguns cientistas acreditam que ele tenha sido o núcleo de uma galáxia anã que não desenvolveu, talvez por culpa de nossa própria galáxia.

Enquanto isso na periferia do sistema solar, Vênus continua próximo, brilhando muito pela manhã ao lado de Saturno, que em comparação parece anêmico e distante.
Frame individual. Exposição de 1/50s devido ao brilho excessivo que o planeta reflete. Em relação à Terra, o planeta já se mostra na metade de sua fase crescente.
Empilhamento de imagens no Registax. Não se deixe enganar, Saturno é mais de 800 vezes maior que Vênus.

Boas Festas!