terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Sol, Mancha solar, Timelapse e bugigangas

NUNCA aponte um telescópio para o Sol.
No caso de um telescópio de grande abertura, pode acabar numa cegueira instantânea ou em equipamento estragado.

Tendo dito isso, arrisquei minha câmera apontando ela e telescópio (afocal) para o sol nascente.
No início da sequência, com toda abertura liberada e exposição moderada para longa.
Quando apenas uma fração do Sol surge, tenho que tampar o telescópio e deixo passar apenas uma fração da luz. Alternando entre tampar a abertura para o sensor esfriar e capturar uma imagem na exposição mais rápida que a câmera permite.

Meu intento era saber se antes do Sol nascer, alguma coisa da luz passava por dentro da água.
Não sei o quanto da atmosfera refrata luz e o quanto é o oceano... vejam o filme e decidam.

No primeiro dia havia nuvens... no segundo a coisa deu certo...

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Nessa imagem, a macha solar foi ampliada pela atmosfera. O ar atuou como uma lente. Apesar disso, a mancha, no dia, estava visível à olho nu (protegido por filme apropriado).

31/01/2014 - Mancha solar

Imagem de referência para o mesmo dia, obtida aqui.



Imagem bônus:

Tratamento pesado na imagem para mostrar detalhes ofuscados, pássaros e mancha solar.


Mais timelapse !

Vênus anda brilhando muito no céu da manhã.

Total de fotos empilhadas: 450. Exposição de 20s, cada. ISO400.


Perto do ponto em torno do qual o céu gira, as estrelas descrevem um arco no céu.
No sul, fica perto do Cruzeiro do Sul, que em certo momento do ano, apenas raspa o horizonte, sem se "pôr".

Mais um!
Muitos barcos agitados no mar!

Só falta um cometa!

No post anterior eu falei que faltava tirar foto de um cometa e de um meteoro.
O cometa ISON se desintegrou no final de 2013... antes que as nuvens me deixassem tirar uma foto dele.
O meteoro tá aqui!

O meteoro é esse risco na vertical...

Concordo... grandes m#@$% esse meteoro, mas é o que tem pra hoje! Risquei da minha lista!

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Starfail

Geralmente quando se fala de chuva de meteoros, as pessoas da cidade, debaixo dos postes de luz e da iluminação dos prédios e automóveis têm a esperança de ver o volume de meteoros geralmente alardeados pelos meios de comunicação.

Os valores de 20, 60, 100, etc.. meteoros por hora se aplicam a lugares distantes, bem escuros, onde nossas pupilas podem dilatar ao máximo e captar os tênues e breves brilhos de luz (gerados por pedrinhas com tamanhos próximos à petit-pois espaciais em sua maioria).

Do meio da cidade, com um pouco de sorte, poderíamos ver um ou outro ao longo de todo um período de observação.

As fotos abaixo são o resultado de duas tentativas falhas de registrar a presença de algum deles no céu entre 4 e 5 da matina.

A primeira tentativa 24/04/2013 consistiu de 51 fotos de 25s de exposição cada (ISO desconhecido [esqueci]), resultando em uns 20min de registro bastante interessante.
Na segunda, 13/08/2013 foram 78 fotos de 25s de exposição, ISO 400 e registraram um improvável céu “vazio”.

Ambas foram tratadas para melhorar o contraste e empilhadas no soft Startrail. Quando a câmera fica parada e várias longas exposições são juntadas em uma única foto, as estrelas viram riscos ao longo do seu movimento no céu. Cada foto registra um pequeno movimento. A soma das fotos gera uma linha. Em outras palavras, na primeira tentativa, vemos registrado o movimento do céu (por causa da rotação da Terra) em 20min.

Perseidas em 13/08 – Total de meteoros: zero.  Total de coisas voando na foto... nenhum.... Pra falar a verdade, apareceu um satélite artificial em três dos frames... mas tão apagado que nem deu o ar da graça na montagem final.


Lirídeas em 24/04 – Total de meteoros: zero. Total de paradas orbitando: três. Um satélite passando na vertical (linha reta) no meio da foto e outro passando na diagonal, do lado direito inferior em direção ao lado esquerdo superior. Provavelmente estava girando porque deixou três “risquinhos” na foto - onde o mesmo virou e refletiu a luz do sol que estava nascendo. O terceiro não apareceu na montagem, mas está no filme.

Põe a pipoca para estourar!

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Na minha lista de coisas a serem fotografadas, ainda falta um cometa e um meteoro.
Espero ver um cometa até o fim do ano.
Aguardem mais fotos!
Ou não...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Ocultação de Júpiter pela Lua no Natal passado

Este post já nasceu com a validade vencida... mas não foi culpa minha, a culpa foi da inércia e da preguiça.
Na noite de Natal, voltando da casa de meus pais, mostrei a Lua para a minha cria (que adora ver a Lua... por que será?). Notei que Júpiter ia ser atropelado e corri para montar o equipamento.

Apesar de estar desatendo às notícias que previram o evento, ainda estou no auge da minha habilidade de preparar o bacalhau e prontamente fotografei o evento com três configurações diferentes:

Início do evento, método afocal.

Momentos depois, através de projeção de ocular de 10mm.

Auge do evento em projeção por ocular planetária de 5mm. Imagem invertida para  maior dramaticidade.

Na última imagem, eu não esperava que uma porção da lua ainda estivesse com sombra (tolinho).
Fiquei impressionado com o brilho de Júpiter, que permitiu que detalhes das nuvens (faixas equatoriais) aparecessem na foto, apesar do brilho absurdo da lua (tempo de exposição curtíssimo).
Impressiona também o tamanho do planeta... mesmo MUITO distante, tem tamanho considerável quando comparado com a Lua "aqui do lado".
Mais bonito que a foto, foi ver tudo ao vivo.
Até o próximo post, em 2014 ou depois...

quinta-feira, 15 de março de 2012

No quintal de Marte

O planeta "próximo" que mais se mostrou complicado de se observar (para mim), foi Marte.
Todas as minhas imagens anteriores dele são bolinhas ou pontinhos vermelhos. Com meus própios olhos ainda era possível ver um pouco da calota polar, mas com muita dificuldade. Cheguei a comprar filtros coloridos para tentar enxergar mais alguma coisa, mas sem sucesso.

Simulação no Celestia do dia 28.


Esses dias, Terra e Marte ficara na mesma curva do circuito oval e por uns dias, emparelharam.
No dia 28/02/2012 ocorreu um conjunção entre céu limpo, disposição, filho dormindo e paciência. Aproveitando esse fenômeno cada vez mais raro, esperei até que Marte estivesse bem alto (na minha varanda), então arrastei meu equipamento e empilhei lentes e câmera.

Simulação do Stellarium.
O mundo da astronomia não vai mudar, mas a foto abaixo é um marco para o meu Observatório Internacional de Varanda. Com um pouco de boa vontade, é possível ver a calota polar ao sul e o terreno mais escuro da superfície do planeta, que nesse dia estava sem tempestades e se deixou ser fotografado.
Para as luas aparecerem (no meu telescópio atual), eu teria que aumentar a exposição de cada frame ou diminuir o aumento. Aumentar a exposição no verão, quando a atmosfera aquecida sacode tudo, resultaria num borrão. Diminuir o aumento me presentearia com outra bolinha... então, f-se as luas!

Acredito que não dá pra ficar muito melhor do que isso com meu telescópio atual... ou observo de outro lugar afastado da cidade, ou compro um novo (hummmm...).

Imagem obtida a partir do empilhamento de 400 frames selecionados de um total de 1200 utilizando o Registax 6. Filme HD de uma Pentax K-X. Método "drizzle" utilizado para aumentar um pouco a imagem.
... ou  compro um novo ....

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Iridium Flare by Apple

 A empresa Iridium possui um serviço de telefonia celular mundial.
Ao invés de postes altos ou antenas presas em edifícios, ela usa um enxame de satélites (mais de 90, sendo que 66 estão ativos no momento).
Os satélites dessa empresa possuem antenas em forma de portas e são ótimas para refletir a luz do sol por um breve instante.

O que se vê no céu é um pontinho de luz que se movimenta, aumenta gradualmente seu brilho, depois brilha com muita intensidade para então sumir novamente.
O brilho máximo depende de onde vc está em relação ao reflexo e se o céu está escuro o suficiente.
Ontem ocorreu um bem intenso, bastante depois que o sol se pôs (21h).
Depois de estragar algumas fotos tentando registrar outros eventos, eu finalmente acertei a configuração e o timing da exposição.

Iridium 94 em 21/12/2011 - 21h - ISO 800 - Bulb via controle remoto sem fio.  Agora sim!

Ver um Flare é bem tranquilo!
Vá no site Heavens Above, configure onde você mora, a hora certa e clique na previsão de flares.
Eu usei no meu iPhone este app.  

App que prevê Flares perto de onde vc mora... para isso, atente para a informação de direção e altitude. Para bater fotos, até os segundos contam!
 
Não precisa saber nada de constelações, basta achar duas informações:
-> A direção relativa ao norte da Terra (0º); que pode ser achado com uma bússola (o iPhone tem uma com display em números). Leste=90º, Sul=180º e Oeste=270º.
-> A altitude, dada em graus, que vc pode achar com um transferidor ou o iHandy Carpenter no seu iCoisa.



Onde fica o Norte? Peguei essa imagem aqui.
...em suma, a primeira informação diz pra que lado olhar, e a segunda diz o quanto levantar a cabeça, sendo 0º o horizonte, e 90º diretamente acima. Evidente que montanhas bloqueiam a visão de flares que ocorrem a baixa altitude. Não precisa ser exato (a não ser que queira bater uma foto) porque se estiver voltado pro lado certo, seus olhos serão atraídos pelo ponto que se move.


Para Android eu não sei, mas é certo que tenha similares. Tenho certeza que um dos meus dois leitores apáticos irá postar a resposta... ou não....