sábado, 12 de fevereiro de 2011

Ajudante de Astrônomo de Apartamento

Cada vez que eu me especializo, mais tempo demora para iniciar uma sessão de fotos.
Minha esposa não se empolga muito em acordar no meio da madruga para ver estrelas... ela diz que atrapalha o sono...
Contratar um ajudante é impensável então decidir fazer um.
Ele chegou no meio de janeiro, sem manual de instruções e desde então usar o telescópio ficou consideravelmente mais complicado, mas mesmo assim consegui fazer mais três sessões de fotos que fecham o ciclo que se iniciou há um ano atrás, na mesma constelação.
O ajudante parece ser gente finíssima, da melhor qualidade! Tem grande potencial e aposto que em alguns anos ele fará um buraco no teto para instalar algum telescópio 10x maior que o meu.

:-)

Estação Espacial passa de raspão na Lua !!!!!

10/02/2011, em torno das 20h30.

Foto de 15s de exposição em ISO200 - setor cozinha - base de observações da máquina de lavar. Notar Plêiades na extrema direita ao centro.

Evidente que não foi literalmente, mas pra mim valeu uma manchete!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Colimação por Laser de Newtonianos sem Marcação Central do Espelho Primário

Acredito que dê pra notar pelo título que este post é bem específico...
A idéia é que alguém que tenha o mesmo problema que eu tinha, encontre esta sugestão via São Google.
Evite o coma e não leia este post se 70% do título lhe parecer grego.

Na colimação alinha-se os espelhos para permitir que a luz faça o caminho projetado até os olhos sem que ocorra distorção na imagem. No caso de um telescópio Newtoniano, envolve ajustar dois espelhos de modo que a luz, proveniente do objeto observado, seja levada sem distorções até o ponto de encaixe da ocular, no focalizador.

O espelho primário é o espelho parabólico de grandes dimensões que situa-se no fundo do telescópio. O espelho secundário é um espelho inclinado, que "joga a luz para fora" do corpo do telescópio newtoniano. Nenhum destes dois espelhos é igual ao que temos em casa. Na nossa casa, o material que reflete a luz fica embaixo de um vidro, e na parte de trás, uma camada de tinta impede que o mesmo se danifique. No caso de um telescópio, esse vidro iria distorcer muito a imagem. O material reflexivo, portanto, fica em cima de um vidro especial e altamente polido e preciso. Nada impede que o espelho seja arranhado ou mesmo descame ao tocá-lo. Limpar um espelho de telescópio é algo que se indique apenas para casos extremos, quando a imagem aparece prejudicada (camada bem grossa de poeira).

É possível colimar os espelhos de diversas maneiras, eu prefiro utilizar um laser porque considero rápido e prático. A teoria é simples, a parte central do espelho parabólico, tem inclinação de 90º em relação ao tubo do telescópio. Se os espelhos estiverem alinhados, uma laser que viaje pelo centro dos dois espelhos, irá ir e voltar pelo mesmo caminho.

Mais fácil rabiscar que explicar.
Na foto, eu desviei um pouco o ajuste para que o retorno do feixe ficasse visível. Quando alinhado, ele retorna de onde saiu e não aparece.

Colimador laser instalado. Foto mostra o laser indo para o centro do espelho primário e retornando um pouco fora de onde saiu.
O problema no caso é "onde fica o centro do espelho primário"? Alguns fabricantes de telescópio fazem o favor de marcar o centro do espelho (que não afeta a imagem), mas e no (meu) caso de quem não tem esse luxo?

Alguns tutoriais ensinam a colocar um adesivo no centro do espelho, mas é algo que você tem que fazer sem encostar no espelho e sem ter uma segunda chance. Me conhecendo, eu sei que tenho uma boa chance de colar errado ou estragar o espelho, daí o "meu" método indireto...
 
 A proposta não é muito diferente do que já se faz, primeiro atuar no espelho secundário para que o laser acerte o espelho primário no meio, medir indiretamente, re-ajustar e depois atuar no espelho primário para que o feixe volte ao ponto de partida.

Para medir indiretamente o centro do espelho primário, eu faço o seguinte:
Atuando no secundário, eu jogo o laser no espelho primário o mais próximo que eu consigo via olhômetro. Uso as presilhas do espelho (que no meu estão distanciadas em 120º) para traçar retas imaginárias e achar o centro-mais-ou-menos.
Depois tiro uma foto do primário pela parte de cima do tubo:
Repito com uma foto pela parte de baixo:

Depois jogo a foto em qualquer programa de desenho com vetores, qualquer um que possa colocar uma foto e desenhar uma elipse por cima da mesma. No caso abaixo foi o Illustrator.

O quadrado pertence ao ajuste da elipse. As retas devem passar pelos quadradinhos brancos. A elípse deve ser usada por conta do ângulo da foto do espelho, que termina por não ficar com perfil circular.

Deve-se ajustar uma elipse ao contorno do espelho primário, depois pelos 4 pontos de atuação, deve-se passar retas e no encontro destas situa-se o centro do primário. Repita para as duas fotos. Ajuste conforme necessidade, repita, ajuste, tome um whisky, etc... Eu não sou paranóico com o ajuste.. pra mim o da foto acima está bom o suficiente.

E é só... agora é esperar que "minha idéia" gere a Paz Mundial.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Omega Centauri ou “A vizinhança do Cruzeiro do Sul - vol.2”

Existe um aglomerado de estrelas na constelação de Centauro que em locais de boa visibilidade, pode ser confundido com uma estrela. Se observado, porém, com um binóculo, o que se vê é uma grande mancha clara.

Para achar este asterismo, use um binóculo e encontre o cruzamento entre uma linha imaginária que parte do Cruzeiro (ângulo médio aprox. entre Gacrux e Mimosa) e outra que parte da estrela Hadar e sua vizinha.
No telescópio, após aclimatação da pupila, nota-se que a mancha possui uma textura granular.
A fotografia de longa exposição revela um enxame de estrelas de todas as cores e muito próximas, com formato inegavelmente esférico.

Frame individual com brilho realçado,
Frames empilhados no DSS, imagem em P&B realçada.

Detalhe da parte central - imagem P&B gerada após empilhamento de frames.
Talvez ele não tenha ganhado status de galáxia por não ser grande o suficiente, mas ele impressiona. Se houver algum planeta em meio àquele amontoado de estrelas, imagino que deva ter um céu noturno bem interessante (se é que chega a ficar escuro). Alguns cientistas acreditam que ele tenha sido o núcleo de uma galáxia anã que não desenvolveu, talvez por culpa de nossa própria galáxia.

Enquanto isso na periferia do sistema solar, Vênus continua próximo, brilhando muito pela manhã ao lado de Saturno, que em comparação parece anêmico e distante.
Frame individual. Exposição de 1/50s devido ao brilho excessivo que o planeta reflete. Em relação à Terra, o planeta já se mostra na metade de sua fase crescente.
Empilhamento de imagens no Registax. Não se deixe enganar, Saturno é mais de 800 vezes maior que Vênus.

Boas Festas!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

“A preguiça e a falta de tempo na astronomia” ou “A vizinhança do Cruzeiro do Sul - vol.1”

Há algum tempo vinha esperando que a constelação do cruzeiro do sul retornasse à minha janela (varanda) de observação leste, que possui vista parcial do setor sul – sudeste.

Após uma sequência de chuvas e eventos aleatórios, surgiu uma boa noite de observação no dia 20/11/2010. Naquele dia estava motivado em espírito, mas o corpo pedia um sono. Curti a vista e acabei tirando fotos de modo displicente. Este “post” fala sobre a vizinhança do Cruzeiro do Sul, sobre seus asterismos que podem ser observados inclusive com um binóculo e como a preguiça pode estragar algumas fotos.


Nas imagens a seguir, para completar a confusão, eu acabei por não registrar e separar cada sessão de fotos de cada objeto observado. Terminei com um total de sessenta imagens. Algumas desalinhadas e destinadas ao descarte, mas que acabaram misturadas com as boas.


Consertar os efeitos da preguiça pode dar mais trabalho do que fazer a coisa certa da primeira vez. Para pessoas ocupadas, o risco é que o conserto sempre acabe ficando para “o amanhã”...


Voltando aos asterismos...


Como o Cruzeiro fica perto do centro polar sul do céu, sua posição relativa ao chão muda muito no decorrer da madrugada. Neste mês, no RJ, a cruz aparece inclinada para baixo perto do horizonte em torno da meia noite e fica na horizontal as três da matina.

Naquela noite registrei, aleatoriamente, três asterismos. Na imagem, a localização dos mesmos em relação ao Cruzeiro no aprazível horário de quatro da matina.


IC2602 Plêiades do Sul

É um aglomerado aberto a 500 anos-luz da minha cozinha. Bem brilhante, pode ser facilmente observado de binóculos.
Quem aprecia vai achar bonito, mas a maioria vai pensar que é mais outro “bando de estrelinhas”.

Dependendo do referencial, esta imagem pode estar de cabeça pra baixo.

As estrelas espalham-se por uma área relativamente grande, para um aglomerado, mas é bem menor e menos impressionante que as Plêiades originais.



NGC4755 ou Aglomerado Kappa Crucis ou Aglomerado Caixa de Jóias

Ao olho nu aparenta ser uma estrela, mas é um aglomerado de estrelas azuis com uma estrela laranja entre elas (daí a associação com uma caixa cheia de pedras preciosas [fico imaginando o que a galera bebia na época desse descobrimento]). Está a 6500 anos-luz daqui.
Em contraste com as estrelas mais novas (azuis), existe uma estrela na fase super-gigante vermelha (fase final da sua vida). Sua cor é alaranjada e dá nome ao aglomerado.

Aglomerado no véu noturno(*).

É um aglomerado bonito de se ver… pena que a minha preguiça do momento não me fez alinhar o telescópio com um pouco mais de carinho... durante a exposição, a câmera não seguiu corretamente as estrelas e em conjunto com o vento e atmosfera, bagunçou um pouco a imagem, como se vê no detalhe.

Fail!



NGC 3532 – Aglomerado Poço dos Desejos

Esse aglomerado chama a atenção pelo tamanho e quantidade de estrelas brilhantes. É bem bonito de olhar e pode ser visto com binóculos. Seu nome faz analogia a moedas de prateadas brilhando no fundo escuro de um poço d’água.

Está a 1300 anos-luz do lugar mais distante que você já conseguiu ir e foi o primeiro alvo escolhido para ser visto pelo Hubble.

Mesmo num telescópio mais modesto como o meu, a imagem é muito bonita!

Alguém fez muitos pedidos...


NGC 3372 - Nebulosa Eta Carinae

A uma distância média de 8000 anos-luz da Terra, a Nebulosa ETA Carinae envolve alguns agrupamentos de estrelas.
Eu amo a minha câmera.


Essa nebulosa compete com a de Órion em brilho e extensão.
Além de ser muito bonita e fotogênica, sua estrela alaranjada mais brilhante (Eta Carinae) é um objeto bem interessante; é uma das maiores estrelas conhecidas da nossa galáxia (tem raio e massa pelo menos cem vezes maior que o do Sol e é cinco milhões de vezes mais brilhante que ele) e há alguns anos atrás, em 1843, a estrela soluçou e expeliu uma quantidade de material inimaginável para fora de si.

Atualmente esse material continua viajando para longe da estrela em alta velocidade. O conjunto agora está agora com um diâmetro algumas centenas de vezes maior que todo nosso sistema solar (mais interminável que uma maratona de Sr. dos Anéis – versão entendida, aproximadamente). Toda esta instabilidade faz a estrela variar seu brilho de tempos em tempos.

A estrela amarelada na parte central inferior desta foto, dá nome à nebulosa da qual ela faz parte.


Desleixadamente, esqueci de bater a foto com o telescópio tampado, de modo a descontar o ruído da câmera e outros vazamentos de luz, como visto no topo à esquerda.
Tecnicamente, a imagem ficou com um pouco mais de ruído... vou tentar repetir ela numa noite mais favorável.

Imagem feita pelo Hubble... um telescópio um pouquinho melhor que o meu. A "explosão" parece congelada no tempo, mas está se movendo muito rápido. A distância e as dimensões do evento são tais que para nós, micróbios, a imagem que vemos pelo telescópio pareça um instante congelado no tempo (*).


Tem mais coisa no entorno do Cruzeiro do Sul que eu quero fotografar... aguardo a melhora do tempo e as estrelas saírem detrás de um prédio que estraga a minha vista. Em breve comprarei uma cobertura com a Megasena de fim de ano!

(*) Comentários no estilo Discovery/National Geographic

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Vênus em Conjunção

O Sol (dã)

No final da fase minguante e durante a Lua Nova, a Lua está entre a Terra e o Sol e se os três estiverem bem alinhados, ocorre um eclipse.
Na maioria das vezes, porém, a Lua projeta sua sombra ao largo da Terra. O que vemos daqui então, é a mesma face de sempre escurecida. A Lua então, se perde por alguns dias enquanto divide o céu com a luz ofuscante do sol.

Lua minguante - 04/11/2010

A mesma regra vale para planetas. Do ponto de vista da Terra, os planetas com órbita mais próxima do Sol possuem fases como a Lua.

Vênus em crescente - 04/11/2010

Vênus está em fase crescente, e como ele possui velocidade orbital ligeiramente superior a da Terra, ele estará "meio cheio" em janeiro de 2011. Neste momento, ele está muito próximo da Terra e acabou de ultrapassá-la, fazendo com que sumisse do horizonte oeste e aparecesse agora no horizonte leste, por isso a imagem do mesmo está bem grande, apesar do pequeno aumento (36x) - basta comparar com as fotos do mesmo planeta em posts anteriores.

Simulação da posição dos planetas e lua. Clique para detalhes.


Imagine então como é complicado conseguir tempo bom + conjunção (proximidade aparente entre corpos celestes) + proximidade máxima de Vênus + fase minguante da Lua + fase crescente de Vênus. Essa combinação de fatores aconteceu hoje, lá pelas 5h30 da manhã (no RJ).
Voei na maionese e imaginei que estava em algum planeta com duas luas... o sono só fez a experiência mais real!

Lua e Vênus em conjunção - 05/11/2010

sábado, 30 de outubro de 2010

Mosaico

Lua do dia 22/10/2010, sexta feira.
Mosaico de 5 fotos obtidas através do empilhamento e processamento (Registax) de 59 fotos individuais.
Pentax K-x em foco primário com Barlow Celestron 2x (dubleto acromático).
As fotos foram unidas no Photoshop CS e tiveram ajuste de contraste e aumento na saturação para trazer um pouco das cores do solo.
Total processado: 601MB >> Imagem final: 9,4MB. Neste post segue a versão de 100KB.
Clique para ver a Lua cheia.
Se a Lua tem 3.470 km de diâmetro, acho que esses morros da direita são maiores do que parecem!
Imagem rotacionada 90º. Clique para imagem cheia.