sábado, 25 de dezembro de 2010

Omega Centauri ou “A vizinhança do Cruzeiro do Sul - vol.2”

Existe um aglomerado de estrelas na constelação de Centauro que em locais de boa visibilidade, pode ser confundido com uma estrela. Se observado, porém, com um binóculo, o que se vê é uma grande mancha clara.

Para achar este asterismo, use um binóculo e encontre o cruzamento entre uma linha imaginária que parte do Cruzeiro (ângulo médio aprox. entre Gacrux e Mimosa) e outra que parte da estrela Hadar e sua vizinha.
No telescópio, após aclimatação da pupila, nota-se que a mancha possui uma textura granular.
A fotografia de longa exposição revela um enxame de estrelas de todas as cores e muito próximas, com formato inegavelmente esférico.

Frame individual com brilho realçado,
Frames empilhados no DSS, imagem em P&B realçada.

Detalhe da parte central - imagem P&B gerada após empilhamento de frames.
Talvez ele não tenha ganhado status de galáxia por não ser grande o suficiente, mas ele impressiona. Se houver algum planeta em meio àquele amontoado de estrelas, imagino que deva ter um céu noturno bem interessante (se é que chega a ficar escuro). Alguns cientistas acreditam que ele tenha sido o núcleo de uma galáxia anã que não desenvolveu, talvez por culpa de nossa própria galáxia.

Enquanto isso na periferia do sistema solar, Vênus continua próximo, brilhando muito pela manhã ao lado de Saturno, que em comparação parece anêmico e distante.
Frame individual. Exposição de 1/50s devido ao brilho excessivo que o planeta reflete. Em relação à Terra, o planeta já se mostra na metade de sua fase crescente.
Empilhamento de imagens no Registax. Não se deixe enganar, Saturno é mais de 800 vezes maior que Vênus.

Boas Festas!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

“A preguiça e a falta de tempo na astronomia” ou “A vizinhança do Cruzeiro do Sul - vol.1”

Há algum tempo vinha esperando que a constelação do cruzeiro do sul retornasse à minha janela (varanda) de observação leste, que possui vista parcial do setor sul – sudeste.

Após uma sequência de chuvas e eventos aleatórios, surgiu uma boa noite de observação no dia 20/11/2010. Naquele dia estava motivado em espírito, mas o corpo pedia um sono. Curti a vista e acabei tirando fotos de modo displicente. Este “post” fala sobre a vizinhança do Cruzeiro do Sul, sobre seus asterismos que podem ser observados inclusive com um binóculo e como a preguiça pode estragar algumas fotos.


Nas imagens a seguir, para completar a confusão, eu acabei por não registrar e separar cada sessão de fotos de cada objeto observado. Terminei com um total de sessenta imagens. Algumas desalinhadas e destinadas ao descarte, mas que acabaram misturadas com as boas.


Consertar os efeitos da preguiça pode dar mais trabalho do que fazer a coisa certa da primeira vez. Para pessoas ocupadas, o risco é que o conserto sempre acabe ficando para “o amanhã”...


Voltando aos asterismos...


Como o Cruzeiro fica perto do centro polar sul do céu, sua posição relativa ao chão muda muito no decorrer da madrugada. Neste mês, no RJ, a cruz aparece inclinada para baixo perto do horizonte em torno da meia noite e fica na horizontal as três da matina.

Naquela noite registrei, aleatoriamente, três asterismos. Na imagem, a localização dos mesmos em relação ao Cruzeiro no aprazível horário de quatro da matina.


IC2602 Plêiades do Sul

É um aglomerado aberto a 500 anos-luz da minha cozinha. Bem brilhante, pode ser facilmente observado de binóculos.
Quem aprecia vai achar bonito, mas a maioria vai pensar que é mais outro “bando de estrelinhas”.

Dependendo do referencial, esta imagem pode estar de cabeça pra baixo.

As estrelas espalham-se por uma área relativamente grande, para um aglomerado, mas é bem menor e menos impressionante que as Plêiades originais.



NGC4755 ou Aglomerado Kappa Crucis ou Aglomerado Caixa de Jóias

Ao olho nu aparenta ser uma estrela, mas é um aglomerado de estrelas azuis com uma estrela laranja entre elas (daí a associação com uma caixa cheia de pedras preciosas [fico imaginando o que a galera bebia na época desse descobrimento]). Está a 6500 anos-luz daqui.
Em contraste com as estrelas mais novas (azuis), existe uma estrela na fase super-gigante vermelha (fase final da sua vida). Sua cor é alaranjada e dá nome ao aglomerado.

Aglomerado no véu noturno(*).

É um aglomerado bonito de se ver… pena que a minha preguiça do momento não me fez alinhar o telescópio com um pouco mais de carinho... durante a exposição, a câmera não seguiu corretamente as estrelas e em conjunto com o vento e atmosfera, bagunçou um pouco a imagem, como se vê no detalhe.

Fail!



NGC 3532 – Aglomerado Poço dos Desejos

Esse aglomerado chama a atenção pelo tamanho e quantidade de estrelas brilhantes. É bem bonito de olhar e pode ser visto com binóculos. Seu nome faz analogia a moedas de prateadas brilhando no fundo escuro de um poço d’água.

Está a 1300 anos-luz do lugar mais distante que você já conseguiu ir e foi o primeiro alvo escolhido para ser visto pelo Hubble.

Mesmo num telescópio mais modesto como o meu, a imagem é muito bonita!

Alguém fez muitos pedidos...


NGC 3372 - Nebulosa Eta Carinae

A uma distância média de 8000 anos-luz da Terra, a Nebulosa ETA Carinae envolve alguns agrupamentos de estrelas.
Eu amo a minha câmera.


Essa nebulosa compete com a de Órion em brilho e extensão.
Além de ser muito bonita e fotogênica, sua estrela alaranjada mais brilhante (Eta Carinae) é um objeto bem interessante; é uma das maiores estrelas conhecidas da nossa galáxia (tem raio e massa pelo menos cem vezes maior que o do Sol e é cinco milhões de vezes mais brilhante que ele) e há alguns anos atrás, em 1843, a estrela soluçou e expeliu uma quantidade de material inimaginável para fora de si.

Atualmente esse material continua viajando para longe da estrela em alta velocidade. O conjunto agora está agora com um diâmetro algumas centenas de vezes maior que todo nosso sistema solar (mais interminável que uma maratona de Sr. dos Anéis – versão entendida, aproximadamente). Toda esta instabilidade faz a estrela variar seu brilho de tempos em tempos.

A estrela amarelada na parte central inferior desta foto, dá nome à nebulosa da qual ela faz parte.


Desleixadamente, esqueci de bater a foto com o telescópio tampado, de modo a descontar o ruído da câmera e outros vazamentos de luz, como visto no topo à esquerda.
Tecnicamente, a imagem ficou com um pouco mais de ruído... vou tentar repetir ela numa noite mais favorável.

Imagem feita pelo Hubble... um telescópio um pouquinho melhor que o meu. A "explosão" parece congelada no tempo, mas está se movendo muito rápido. A distância e as dimensões do evento são tais que para nós, micróbios, a imagem que vemos pelo telescópio pareça um instante congelado no tempo (*).


Tem mais coisa no entorno do Cruzeiro do Sul que eu quero fotografar... aguardo a melhora do tempo e as estrelas saírem detrás de um prédio que estraga a minha vista. Em breve comprarei uma cobertura com a Megasena de fim de ano!

(*) Comentários no estilo Discovery/National Geographic

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Vênus em Conjunção

O Sol (dã)

No final da fase minguante e durante a Lua Nova, a Lua está entre a Terra e o Sol e se os três estiverem bem alinhados, ocorre um eclipse.
Na maioria das vezes, porém, a Lua projeta sua sombra ao largo da Terra. O que vemos daqui então, é a mesma face de sempre escurecida. A Lua então, se perde por alguns dias enquanto divide o céu com a luz ofuscante do sol.

Lua minguante - 04/11/2010

A mesma regra vale para planetas. Do ponto de vista da Terra, os planetas com órbita mais próxima do Sol possuem fases como a Lua.

Vênus em crescente - 04/11/2010

Vênus está em fase crescente, e como ele possui velocidade orbital ligeiramente superior a da Terra, ele estará "meio cheio" em janeiro de 2011. Neste momento, ele está muito próximo da Terra e acabou de ultrapassá-la, fazendo com que sumisse do horizonte oeste e aparecesse agora no horizonte leste, por isso a imagem do mesmo está bem grande, apesar do pequeno aumento (36x) - basta comparar com as fotos do mesmo planeta em posts anteriores.

Simulação da posição dos planetas e lua. Clique para detalhes.


Imagine então como é complicado conseguir tempo bom + conjunção (proximidade aparente entre corpos celestes) + proximidade máxima de Vênus + fase minguante da Lua + fase crescente de Vênus. Essa combinação de fatores aconteceu hoje, lá pelas 5h30 da manhã (no RJ).
Voei na maionese e imaginei que estava em algum planeta com duas luas... o sono só fez a experiência mais real!

Lua e Vênus em conjunção - 05/11/2010

sábado, 30 de outubro de 2010

Mosaico

Lua do dia 22/10/2010, sexta feira.
Mosaico de 5 fotos obtidas através do empilhamento e processamento (Registax) de 59 fotos individuais.
Pentax K-x em foco primário com Barlow Celestron 2x (dubleto acromático).
As fotos foram unidas no Photoshop CS e tiveram ajuste de contraste e aumento na saturação para trazer um pouco das cores do solo.
Total processado: 601MB >> Imagem final: 9,4MB. Neste post segue a versão de 100KB.
Clique para ver a Lua cheia.
Se a Lua tem 3.470 km de diâmetro, acho que esses morros da direita são maiores do que parecem!
Imagem rotacionada 90º. Clique para imagem cheia.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Alguém viu a Lua ontem?

Imagem feita a partir de 10 fotos. Clique para a Lua cheia.
P.s.:
Há um cometa no céu.
Localização aqui:
Hartley - Localização relativa a cidade do RJ

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Sob a sombra de Europa (?)

Já faz bastante tempo que observo Júpiter com o novo telescópio, desde que ele "saiu de trás do Sol" esse ano. Agora observo sempre que posso, mas no início do ano eu acordava de madrugada.

Se o planeta tem 4 grandes satélites e o período dos mesmos em torno do planeta é curto, como é possível que até agora eu nunca tenha observado um trânsito?
Não é que às 18h50 de sábado, enquanto estou mostrando o planeta para a minha esposa (coitada), notei um pontinho preto na atmosfera do mesmo?

Jupiter com uma lua (Io) quase oculta no horizonte esquerdo e uma (de duas) projetando sombra à direita. 150x aumento a partir de 5 fotos de 12Mpixels no Registax. Da esquerda para direita, Io, Europa e Ganimedes.

A minha consorte ainda me chamou a atenção para a outra lua no horizonte do planeta.
Imagine se você estivesse na superfície do planeta, no momento em que aquela sombra passou... provavelmente estaria com dores nas costas, asfixiando e sendo esmagado pela atmosfera, mas veria um eclipse bem interessante.

Tive que rodar uma simulação no Celestia para determinar de quem era a sombra e se haveria um outro satélite que não pude detectar e que estaria causando esse fenômeno.
Levando em conta a posição da Terra (com o Sol "à direita") em relação a Júpiter e suas quatro maiores luas, tendo a concluir que era Europa.


Simulação no Celestia - o ponto de vista da Terra ficaria um pouco mais para esquerda.

Europa demora apenas 3 dias para dar uma volta em Júpiter (a nossa lua 28 dias) e possui 1/4 do diâmetro da Terra (quase o mesmo da nossa Lua).

Sabendo disso, dá para imaginar nosso planeta flutuando perto de Júpiter... ia ser uma vista e tanto... antes dele sugar nossa atmosfera, alterar nossa gravidade e causar uma maré tão forte que causaria uma aberração na crosta terrestre. Vulcões entrariam em erupção e o clima enlouqueceria para pior. A vida na Terra mudaria e provavelmente as baratas teriam enfim, o seu reino... pena... vai continuar só na minha imaginação...

Então, neste post ficam 3 perguntas:

Porque eu não via trânsitos antes?
A sombra é de Europa?
Quem realmente matou Odete Roitman (não me convenci da explicação até hoje)?

Tenho certeza que os comentários serão engrandalhecedores.
Obrigado!

Totem

Quando o tempo fica ruim, o Astrônomo fica sem sua diversão.
Cada previsão de tempo é acompanhada de perto e à medida que o tempo passa e eventos se perdem e piora o humor do aspirante a Isaac-Newton-da-vida.
Nessas semanas, nas vezes em que o tempo melhorou um pouco, a lei de Murphy fez com que eu não estivesse em casa.
Mas uma qualidade necessária a todo Astrônomo de Apartamento é a paciência.

Aproveitando uma brecha de 30min, consegui testar o focalizador novo. A imagem não difere em muito da minha melhor imagem com o focalizador Low-Profile Tabajara mas ela foi feita com muito menos esforço.
Sem mencionar que o alinhamento está muito melhor e portanto todas as estrelas da imagem estavam igualmente focadas.





Grande pilar de poeira em Órion e estrlas tênues em meio à nebulosa.

O focalizador novo permitiu colocar minhas lentes de novo e voltar a observar diretamente. Foram alguns meses observando pela tela da câmera e havia esquecido do quanto o céu fica mais bonito olhando diretamente. Para pode trocar do perfil baixo para o perfil alto e voltar a usar as lentes, eu "depenei" uma Barlow vagaba de sua lente e aproveitei apenas a carcaça.

Fiquei surpreso ao olhar Júpiter novamente, estava muito colorido e suas luas estavam muito brilhantes. Seu ápice de proximidade passou e não sei se isso tem a ver com ela, mas o fato é que senti saudade de minhas lentes.
Agora que tenho flexibilidade, não estou limitado a utilizar minha câmera apenas com as fotos de pouco aumento e grande ganho luminoso.

Em outro dia, nova trégua do clima, aproveitei para fazer uma fotografia de projeção utilizando minha lente planetária de 6mm (150x de aumento).

Imagem feita no Registax a partir de 450 frames isolados. Notem pequenas manchas dentro da faixa equatorial.


E já que estava sofrendo a "maldição do equipamento novo", aproveitei para encomendar outra Barlow de qualidade melhor. Ao que parece, a maldição não é cumulativa, portanto sempre encomende mais de uma coisa ao mesmo tempo.

Como falei anteriormente, a abertura do telescópio limita seu aumento. O meu tem 130mm, eu não deveria ir muito além de 130x... 150x eu considero um valor bem razoável. A partir daí é melhor aumentar as imagens no photoshop, porque não é muito diferente do que acontece quando você força a barra.

Mas... com uma barlow 2x nova de bobeira, não resisti e coloquei 300x de aumento no telescópio.

"Façam o que eu digo... "

Na prática não houve muita diferença. Foi divertido, porém, ver Jupiter bem grande.
Em seguida tentei fazer uma foto. Dá pra notar pelo tamanho do totem que não foi exatamente fácil.
No dia seguinte, com mais calma, consegui soltar a câmera aos poucos e compensar o excesso de peso e o desalinhamento ótico com pequenos ajustes do telescópio.
Não preciso mencionar que "respirar" perto do telescópio fazia tudo chacoalhar....

Focalizador HC-1 + Barlow depenada + Barlox 2x + Lente Planetária 6mm + Suporte fotográfico + Camera = Excesso de peso.
Qual a conclusão? Melhorei um pouco a minha técnica, explorei o máximo do meu equipamento ou em outras palavras, não serviu pra p* nenhuma. Mas eu não estou nisso pelo salário, então f*-se.