terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Sol, Mancha solar, Timelapse e bugigangas

NUNCA aponte um telescópio para o Sol.
No caso de um telescópio de grande abertura, pode acabar numa cegueira instantânea ou em equipamento estragado.

Tendo dito isso, arrisquei minha câmera apontando ela e telescópio (afocal) para o sol nascente.
No início da sequência, com toda abertura liberada e exposição moderada para longa.
Quando apenas uma fração do Sol surge, tenho que tampar o telescópio e deixo passar apenas uma fração da luz. Alternando entre tampar a abertura para o sensor esfriar e capturar uma imagem na exposição mais rápida que a câmera permite.

Meu intento era saber se antes do Sol nascer, alguma coisa da luz passava por dentro da água.
Não sei o quanto da atmosfera refrata luz e o quanto é o oceano... vejam o filme e decidam.

No primeiro dia havia nuvens... no segundo a coisa deu certo...




Nessa imagem, a macha solar foi ampliada pela atmosfera. O ar atuou como uma lente. Apesar disso, a mancha, no dia, estava visível à olho nu (protegido por filme apropriado).

31/01/2014 - Mancha solar

Imagem de referência para o mesmo dia, obtida aqui.



Imagem bônus:

Tratamento pesado na imagem para mostrar detalhes ofuscados, pássaros e mancha solar.


Mais timelapse !

Vênus anda brilhando muito no céu da manhã.

Total de fotos empilhadas: 450. Exposição de 20s, cada. ISO400.


Perto do ponto em torno do qual o céu gira, as estrelas descrevem um arco no céu.
No sul, fica perto do Cruzeiro do Sul, que em certo momento do ano, apenas raspa o horizonte, sem se "pôr".

Mais um!
Muitos barcos agitados no mar!

Só falta um cometa!

No post anterior eu falei que faltava tirar foto de um cometa e de um meteoro.
O cometa ISON se desintegrou no final de 2013... antes que as nuvens me deixassem tirar uma foto dele.
O meteoro tá aqui!

O meteoro é esse risco na vertical...

Concordo... grandes m#@$% esse meteoro, mas é o que tem pra hoje! Risquei da minha lista!

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Starfail

Geralmente quando se fala de chuva de meteoros, as pessoas da cidade, debaixo dos postes de luz e da iluminação dos prédios e automóveis têm a esperança de ver o volume de meteoros geralmente alardeados pelos meios de comunicação.

Os valores de 20, 60, 100, etc.. meteoros por hora se aplicam a lugares distantes, bem escuros, onde nossas pupilas podem dilatar ao máximo e captar os tênues e breves brilhos de luz (gerados por pedrinhas com tamanhos próximos à petit-pois espaciais em sua maioria).

Do meio da cidade, com um pouco de sorte, poderíamos ver um ou outro ao longo de todo um período de observação.

As fotos abaixo são o resultado de duas tentativas falhas de registrar a presença de algum deles no céu entre 4 e 5 da matina.

A primeira tentativa 24/04/2013 consistiu de 51 fotos de 25s de exposição cada (ISO desconhecido [esqueci]), resultando em uns 20min de registro bastante interessante.
Na segunda, 13/08/2013 foram 78 fotos de 25s de exposição, ISO 400 e registraram um improvável céu “vazio”.

Ambas foram tratadas para melhorar o contraste e empilhadas no soft Startrail. Quando a câmera fica parada e várias longas exposições são juntadas em uma única foto, as estrelas viram riscos ao longo do seu movimento no céu. Cada foto registra um pequeno movimento. A soma das fotos gera uma linha. Em outras palavras, na primeira tentativa, vemos registrado o movimento do céu (por causa da rotação da Terra) em 20min.

Perseidas em 13/08 – Total de meteoros: zero.  Total de coisas voando na foto... nenhum.... Pra falar a verdade, apareceu um satélite artificial em três dos frames... mas tão apagado que nem deu o ar da graça na montagem final.


Lirídeas em 24/04 – Total de meteoros: zero. Total de paradas orbitando: três. Um satélite passando na vertical (linha reta) no meio da foto e outro passando na diagonal, do lado direito inferior em direção ao lado esquerdo superior. Provavelmente estava girando porque deixou três “risquinhos” na foto - onde o mesmo virou e refletiu a luz do sol que estava nascendo. O terceiro não apareceu na montagem, mas está no filme.

Põe a pipoca para estourar!



Na minha lista de coisas a serem fotografadas, ainda falta um cometa e um meteoro.
Espero ver um cometa até o fim do ano.
Aguardem mais fotos!
Ou não...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Ocultação de Júpiter pela Lua no Natal passado

Este post já nasceu com a validade vencida... mas não foi culpa minha, a culpa foi da inércia e da preguiça.
Na noite de Natal, voltando da casa de meus pais, mostrei a Lua para a minha cria (que adora ver a Lua... por que será?). Notei que Júpiter ia ser atropelado e corri para montar o equipamento.

Apesar de estar desatendo às notícias que previram o evento, ainda estou no auge da minha habilidade de preparar o bacalhau e prontamente fotografei o evento com três configurações diferentes:

Início do evento, método afocal.

Momentos depois, através de projeção de ocular de 10mm.

Auge do evento em projeção por ocular planetária de 5mm. Imagem invertida para  maior dramaticidade.

Na última imagem, eu não esperava que uma porção da lua ainda estivesse com sombra (tolinho).
Fiquei impressionado com o brilho de Júpiter, que permitiu que detalhes das nuvens (faixas equatoriais) aparecessem na foto, apesar do brilho absurdo da lua (tempo de exposição curtíssimo).
Impressiona também o tamanho do planeta... mesmo MUITO distante, tem tamanho considerável quando comparado com a Lua "aqui do lado".
Mais bonito que a foto, foi ver tudo ao vivo.
Até o próximo post, em 2014 ou depois...

quinta-feira, 15 de março de 2012

No quintal de Marte

O planeta "próximo" que mais se mostrou complicado de se observar (para mim), foi Marte.
Todas as minhas imagens anteriores dele são bolinhas ou pontinhos vermelhos. Com meus própios olhos ainda era possível ver um pouco da calota polar, mas com muita dificuldade. Cheguei a comprar filtros coloridos para tentar enxergar mais alguma coisa, mas sem sucesso.

Simulação no Celestia do dia 28.


Esses dias, Terra e Marte ficara na mesma curva do circuito oval e por uns dias, emparelharam.
No dia 28/02/2012 ocorreu um conjunção entre céu limpo, disposição, filho dormindo e paciência. Aproveitando esse fenômeno cada vez mais raro, esperei até que Marte estivesse bem alto (na minha varanda), então arrastei meu equipamento e empilhei lentes e câmera.

Simulação do Stellarium.
O mundo da astronomia não vai mudar, mas a foto abaixo é um marco para o meu Observatório Internacional de Varanda. Com um pouco de boa vontade, é possível ver a calota polar ao sul e o terreno mais escuro da superfície do planeta, que nesse dia estava sem tempestades e se deixou ser fotografado.
Para as luas aparecerem (no meu telescópio atual), eu teria que aumentar a exposição de cada frame ou diminuir o aumento. Aumentar a exposição no verão, quando a atmosfera aquecida sacode tudo, resultaria num borrão. Diminuir o aumento me presentearia com outra bolinha... então, f-se as luas!

Acredito que não dá pra ficar muito melhor do que isso com meu telescópio atual... ou observo de outro lugar afastado da cidade, ou compro um novo (hummmm...).

Imagem obtida a partir do empilhamento de 400 frames selecionados de um total de 1200 utilizando o Registax 6. Filme HD de uma Pentax K-X. Método "drizzle" utilizado para aumentar um pouco a imagem.
... ou  compro um novo ....

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Iridium Flare by Apple

 A empresa Iridium possui um serviço de telefonia celular mundial.
Ao invés de postes altos ou antenas presas em edifícios, ela usa um enxame de satélites (mais de 90, sendo que 66 estão ativos no momento).
Os satélites dessa empresa possuem antenas em forma de portas e são ótimas para refletir a luz do sol por um breve instante.

O que se vê no céu é um pontinho de luz que se movimenta, aumenta gradualmente seu brilho, depois brilha com muita intensidade para então sumir novamente.
O brilho máximo depende de onde vc está em relação ao reflexo e se o céu está escuro o suficiente.
Ontem ocorreu um bem intenso, bastante depois que o sol se pôs (21h).
Depois de estragar algumas fotos tentando registrar outros eventos, eu finalmente acertei a configuração e o timing da exposição.

Iridium 94 em 21/12/2011 - 21h - ISO 800 - Bulb via controle remoto sem fio.  Agora sim!

Ver um Flare é bem tranquilo!
Vá no site Heavens Above, configure onde você mora, a hora certa e clique na previsão de flares.
Eu usei no meu iPhone este app.  

App que prevê Flares perto de onde vc mora... para isso, atente para a informação de direção e altitude. Para bater fotos, até os segundos contam!
 
Não precisa saber nada de constelações, basta achar duas informações:
-> A direção relativa ao norte da Terra (0º); que pode ser achado com uma bússola (o iPhone tem uma com display em números). Leste=90º, Sul=180º e Oeste=270º.
-> A altitude, dada em graus, que vc pode achar com um transferidor ou o iHandy Carpenter no seu iCoisa.



Onde fica o Norte? Peguei essa imagem aqui.
...em suma, a primeira informação diz pra que lado olhar, e a segunda diz o quanto levantar a cabeça, sendo 0º o horizonte, e 90º diretamente acima. Evidente que montanhas bloqueiam a visão de flares que ocorrem a baixa altitude. Não precisa ser exato (a não ser que queira bater uma foto) porque se estiver voltado pro lado certo, seus olhos serão atraídos pelo ponto que se move.


Para Android eu não sei, mas é certo que tenha similares. Tenho certeza que um dos meus dois leitores apáticos irá postar a resposta... ou não....

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

The King of Acoxambration!

Oculares de projeção servem para (dã) projetar uma imagem no sensor de uma câmera.
Algumas oculares têm essa capacidade, apesar de não possuírem a rosca para que sejam fixadas a uma câmera e não apresentem vazamentos de luz, nem desalinhamento com o eixo da imagem.

Tenho uma ocular planetária de 5mm. Normalmente, oculares Orto de 5mm exigem que você olhe através de um buraco de agulha para enxergar a imagem. Fora isso, a imagem se forma bem próximo a lente e por isso, tem-se que espremer a pupila na ocular.

As oculares planetárias permitem através de um jogo de lentes de grande qualidade, uma visão mais ampla e mais confortável, sem perder nitidez. Inclusive pode ocorrer um pouco de projeção da imagem.

Levando em consideração os parágrafos acima, tentei no passado empilhar lentes, adaptadores e câmera de modo a formar uma imagem, mas a mesma sempre ficava pequena. Pode-se afastar a ocular do sensor, isto aumenta a imagem, mas deixa a mesma cada vez mais escura para cada pequeno aumento.
Em novembro encontrei a combinação correta de peças e a humanidade deu um grande passo pro lado!

Seguem as imagens!

The acoxambration structure: Pentax K-X + anel adaptador Pentax + Ocular planetária mantidos juntos por braçadeira fotográfica, encaixado em distanciador improvisado (barlow sem lentes). Na base, focalizador low profile HC-1 e base de pvc improvisada a partir de luvas para canos de água. Fita adesiva preta para vedar contra vazamentos de luz e dar aquele toque de requinte e profissionalismo desleixado.



 Impressionante que algo tão artesanal funcione.
Incrível que a luz coletada pelo telescópio consiga passar pelas 8 lentes da ocular e ainda viajar dentro do corpo da câmera para ainda formar algo aproveitável no sensor.

Achar Jupiter no céu não é difícil (atualmente, o pontinho mais brilhante no alto do céu quando escurece). Depois que eu centralizo ele no telescópio usando uma ocular comum e meus olhos, tenho que substituir por essa tralha toda... pesada!
Então o telescópio verga e a imagem sai do lugar... muito bom...
Tenho que soltar aos poucos e ir compensando a tensão como se mirasse o telescópio mais pra cima.
Depois que equilibro esses pratos todos, ainda sobra a tarefa de focalizar o planeta do jeito mais delicado possível (pois envolve girar essa m3rd@ toda e eu já estou um pouco sem paciência).

Quem sabe tudo compensa no final, e uma foto como de baixo aparece!
Não só registrei a sombra de uma de suas luas no planeta, como registrei a Grande Mancha Vermelha (que é laranja e bem maior que a Terra)!

Jupiter em 06/11/2011 com sombra de uma das luas ao lado da grande mancha. Há ainda algo que parece uma sombra na direita ao norte do planeta. No canto direito superior da fotografia, uma das luas, em si. Provavelmente IO. Estou com preguiça de ver minhas anotações... mas vc pode simular no Celestia e descobrir! Na simulação que fiz, deveria aparecer somente uma sombra... o outro ponto escuro poderia ser o trânsito de outra lua. Se me corrigirem, ficarei feliz em saber.
Por hoje é só.....

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Cúpula de Pobre

Há muito que não escrevo um post novo...
... e provavelmente continuará assim...

Não por descaso aos meus queridos e fiéis 3 leitores, mas sim porque o tempo fecha sempre que não estou cuidando do treinamento do meu ajudante de Astrônomo de Apartamento. E quando não fecha, eu estou cansado demais para arrastar o equipamento para varanda.
Mesmo assim, não foi um período de completa inércia, como hei de mostrar neste o no próximo post!

Uma consequência de montar um Observatório Internacional no meio da cidade é a interminável incidência de luz proveniente do sistema de iluminação pública no equipamento e nos aerossóis da atmosfera situada a frente do asterismo a ser observado.
Sempre tentei contornar essa situação batendo as fotos o mais na vertical possível ou procurando dias em que a atmosfera se encontrava mais limpa (depois de chuvas, por exemplo).

Mesmo assim, a luz dos postes sempre batia lateralmente nos equipamentos, por vezes na abertura principal do telescópio, o que para fotos rápidas não era problema, mas para longas exposições provocava ruídos indesejados e falta de contraste.

Uma cúpula seria a solução, não fosse a falta de dinheiro e a necessidade de destruir o andar em cima do meu apartamento.
Uma solução factível seria pegar um cobertor pesado e velho e pendurar ele entre o telescópio e as fontes de luz. Ficou tão ridículo que não tirei foto da montagem em si, mas posso atestar que a coisa dá resultado!

Abaixo, fotos da nebulosa Trífide, antes de depois de armada a barraca (no bom sentido astronômico da coisa).

Melhor imagem da Trífide em post anterior cheio de caspa.


Trífide após a instalação da cúpula high-tech de edredon estampado.
O ruído na parte superior da imagem vem do teto da varanda, que estava levemente iluminado pela rua.

Close da mesma nebulosa. Eu gostei...

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Qual o melhor equipamento para você?

Método rápido e prático de seleção de equipamentos:

Hoje de madrugada foi o ápice da chuva de meteoros em Aquários.
Amanhã a chuva continuará.
Olhando para a mesma direção (leste, um pouco acima de onde o Sol nascerá), vários planetas estão alinhados.
  • Se isso é suficiente para você acordar 5 da matina e ir conferir, compre um telescópio. 
  • Se você achou muito legal e continuou dormindo, compre no máximo um binóculo.

Localização de chuva de meteoros e planetas ao leste, visto do Rio de Janeiro na data de hoje.
Vênus, Mercúrio e Júpiter (mais abaixo). O resto está atrás do morro.
Em 20min de observação contínua, ví um meteoro tamanho médio. Razoável pra uma observação do meio da cidade.

Chuvas de meteoros tem data para acontecer, confira aqui.
Vi uma reportagem igual a este post aqui.

:-)

sábado, 30 de abril de 2011

A Lua num dia qualquer...

Ainda continuo cuidando do treinamento do meu ajudante... entre babas, vômitos e febres, sobrou um tempinho pra uma foto da Lua em 22/04/2011.

Nessa época do ano, dá pra ver ela nascendo no mar daqui de casa (o ponto onde ela nasce se desloca mais pro sul).

Fora isso, é a Lua nascendo, como ela faz rotineiramente...

Logo após surgir no horizonte.

Ao atravessar as nuvens

Já bem alta, iluminando o oceano.



:-)

sábado, 19 de março de 2011

Lua no Perigeu!

Aproveitando o intervalo entre golfadas e fraldas, queria anunciar aos meus 3 leitores que hoje é o dia pra dar uma olhada na Lua! (informações aqui também).
Se não for possível, olhe amanhã... afinal de contas, ela não vai reduzir de tamanho de uma hora pra outra.
Hoje, no RJ, ela começa a despontar no horizonte à 17h50, melhor momento para vê-la.
Até!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Fechando o Ciclo

Escorpião é uma das constelações mais tranquilas de se memorizar. Não é preciso muita cerveja para reconhecer um escorpião nela.
O telescópio chegou ano passado nessa mesma época e ela foi uma das primeiras que observei.
Na época foi uma conquista tirar uma foto do aglomerado de Ptolomeu (aquele carinha mencionado nas aulas de história e que em 140 AC jurou que tinha uma manchinha ali). Hoje em dia, a mesma foto é "trivial".

A região de escorpião é muito interessante, mesmo para binóculos, e sua cauda ameaça espetar o centro da Via Láctea. Não surpreende que essa área densamente "povoada", tenha vários pontos de interesses.
Na imagem abaixo marquei apenas alguns.
Acorde antes do Sol e olhe para direção de onde ele surge. Clique na imagem para ampliar.

Aglomerado de Ptolomeu (M7) ao centro da foto - se parece com um quadrado com braços e numa noite bem escura, pode ser visto a olho nú como se fosse uma estrela fraca.
Aglomerado Borboleta (M6) ao centro, lado esquerdo. Com um pouco mais de cerveja, é possível ver o contorno de uma borboleta.
A Nebulosa da Lagoa (M8) se encontra oficialmente na constelação de Sagitário, mas é mais fácil achar ela tomando-se o Escorpião. Tem magnitude 5.8 e fica próximo ao limite do meu telescópio na cidade (compare com a magnitude 4 da nebulosa de Órion - cada +1 unid. de magnitude equivale a 2,5x menos brilho).  Daqui a alguns meses, quando estiver mais alta no céu, será possível obter imagens um pouco melhores.

Nebulosa Trífide (M20), com magnitude 6,3, perdida em meio ao ruído de fundo da máquina fotográfica e da poluição luminosa. Como diz o nome, a mesma é dividida em 3 partes. Tem uma companheira azulada na periferia.
Trífide é o limite máximo que o meu telescópio chega aqui em casa. Talvez eu consiga uma imagem com menos ruído daqui a alguns meses ou quando Vênus sair de perto dela.

Não sei qual vai ser a frequência de observações daqui em diante. Ou se a obra em frente a minha casa vai jogar mais luz no céu e acabar com a festa. Ou se a corrosão do meu espelho primário vai continuar. O fato é que o blog subiu no telhado, mas foi por um ótimo motivo (não, ele não foi buscar uma pipa).


Clique na foto - foto-brinde das Ilhas Cagarras via telescópio.
Fail! A ferramenta do blogger não permite que a imagem seja exibida na sua resolução total... fica pra outro dia!









HAVE A NICE DAY!

Repetindo de Matéria

Antes da chegada do ajudante, as coisas estavam corridas (estranho... ainda estão...) e fiquei um pouco desleixado.
Depois de umas fotos ruins do entorno do Cruziro do Sul, tive a chance de corrigir tudo no dia 9 de janeiro.
No dia seguinte à madrugada de fotos notei, olhando em detalhe no computador, que todas as fotos estavam ruins e acabei jogando tudo fora.

Após uma limpeza cuidadosa e troca da graxa das engrenagens, aguardei por uma oportunidade de tempo (entre fraldas) e clima.

A espera acabou dia 21 e 22 de janeiro e essas são as fotos novamente:

Dia 21 -
Aglomerado Kappa Crucis
Foto-brinde da Lua. Destaque para a cratera "dupla" Endymion no lado esquerdo da foto à meia altura.

Dia 22 -

Imagem em cores de Omega Centauri - tratado via DSS. Favor ignorar o tom esverdeado, coisas do céu da cidade grande.
Frame individual da Omega Centauri - novamente, um meteoro ou satélite artificial se meteu na foto.
Poço dos Desejos, em cores.
Nebulosa Carinae
Foto-brinde da Lua ao nascer.
Mesma lua em detalhe após empilhamento no Registax. Repare nos "rastros/caminhos" deixados num dos "mares" ao centro da foto.

Qualquer reclamação, favor me enviar o endereço para eu encaminhar uma ou duas fraldas pesadas e quentinhas.

Ajudante de Astrônomo de Apartamento

Cada vez que eu me especializo, mais tempo demora para iniciar uma sessão de fotos.
Minha esposa não se empolga muito em acordar no meio da madruga para ver estrelas... ela diz que atrapalha o sono...
Contratar um ajudante é impensável então decidir fazer um.
Ele chegou no meio de janeiro, sem manual de instruções e desde então usar o telescópio ficou consideravelmente mais complicado, mas mesmo assim consegui fazer mais três sessões de fotos que fecham o ciclo que se iniciou há um ano atrás, na mesma constelação.
O ajudante parece ser gente finíssima, da melhor qualidade! Tem grande potencial e aposto que em alguns anos ele fará um buraco no teto para instalar algum telescópio 10x maior que o meu.

:-)

Estação Espacial passa de raspão na Lua !!!!!

10/02/2011, em torno das 20h30.

Foto de 15s de exposição em ISO200 - setor cozinha - base de observações da máquina de lavar. Notar Plêiades na extrema direita ao centro.

Evidente que não foi literalmente, mas pra mim valeu uma manchete!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Colimação por Laser de Newtonianos sem Marcação Central do Espelho Primário

Acredito que dê pra notar pelo título que este post é bem específico...
A idéia é que alguém que tenha o mesmo problema que eu tinha, encontre esta sugestão via São Google.
Evite o coma e não leia este post se 70% do título lhe parecer grego.

Na colimação alinha-se os espelhos para permitir que a luz faça o caminho projetado até os olhos sem que ocorra distorção na imagem. No caso de um telescópio Newtoniano, envolve ajustar dois espelhos de modo que a luz, proveniente do objeto observado, seja levada sem distorções até o ponto de encaixe da ocular, no focalizador.

O espelho primário é o espelho parabólico de grandes dimensões que situa-se no fundo do telescópio. O espelho secundário é um espelho inclinado, que "joga a luz para fora" do corpo do telescópio newtoniano. Nenhum destes dois espelhos é igual ao que temos em casa. Na nossa casa, o material que reflete a luz fica embaixo de um vidro, e na parte de trás, uma camada de tinta impede que o mesmo se danifique. No caso de um telescópio, esse vidro iria distorcer muito a imagem. O material reflexivo, portanto, fica em cima de um vidro especial e altamente polido e preciso. Nada impede que o espelho seja arranhado ou mesmo descame ao tocá-lo. Limpar um espelho de telescópio é algo que se indique apenas para casos extremos, quando a imagem aparece prejudicada (camada bem grossa de poeira).

É possível colimar os espelhos de diversas maneiras, eu prefiro utilizar um laser porque considero rápido e prático. A teoria é simples, a parte central do espelho parabólico, tem inclinação de 90º em relação ao tubo do telescópio. Se os espelhos estiverem alinhados, uma laser que viaje pelo centro dos dois espelhos, irá ir e voltar pelo mesmo caminho.

Mais fácil rabiscar que explicar.
Na foto, eu desviei um pouco o ajuste para que o retorno do feixe ficasse visível. Quando alinhado, ele retorna de onde saiu e não aparece.

Colimador laser instalado. Foto mostra o laser indo para o centro do espelho primário e retornando um pouco fora de onde saiu.
O problema no caso é "onde fica o centro do espelho primário"? Alguns fabricantes de telescópio fazem o favor de marcar o centro do espelho (que não afeta a imagem), mas e no (meu) caso de quem não tem esse luxo?

Alguns tutoriais ensinam a colocar um adesivo no centro do espelho, mas é algo que você tem que fazer sem encostar no espelho e sem ter uma segunda chance. Me conhecendo, eu sei que tenho uma boa chance de colar errado ou estragar o espelho, daí o "meu" método indireto...
 
 A proposta não é muito diferente do que já se faz, primeiro atuar no espelho secundário para que o laser acerte o espelho primário no meio, medir indiretamente, re-ajustar e depois atuar no espelho primário para que o feixe volte ao ponto de partida.

Para medir indiretamente o centro do espelho primário, eu faço o seguinte:
Atuando no secundário, eu jogo o laser no espelho primário o mais próximo que eu consigo via olhômetro. Uso as presilhas do espelho (que no meu estão distanciadas em 120º) para traçar retas imaginárias e achar o centro-mais-ou-menos.
Depois tiro uma foto do primário pela parte de cima do tubo:
Repito com uma foto pela parte de baixo:

Depois jogo a foto em qualquer programa de desenho com vetores, qualquer um que possa colocar uma foto e desenhar uma elipse por cima da mesma. No caso abaixo foi o Illustrator.

O quadrado pertence ao ajuste da elipse. As retas devem passar pelos quadradinhos brancos. A elípse deve ser usada por conta do ângulo da foto do espelho, que termina por não ficar com perfil circular.

Deve-se ajustar uma elipse ao contorno do espelho primário, depois pelos 4 pontos de atuação, deve-se passar retas e no encontro destas situa-se o centro do primário. Repita para as duas fotos. Ajuste conforme necessidade, repita, ajuste, tome um whisky, etc... Eu não sou paranóico com o ajuste.. pra mim o da foto acima está bom o suficiente.

E é só... agora é esperar que "minha idéia" gere a Paz Mundial.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Omega Centauri ou “A vizinhança do Cruzeiro do Sul - vol.2”

Existe um aglomerado de estrelas na constelação de Centauro que em locais de boa visibilidade, pode ser confundido com uma estrela. Se observado, porém, com um binóculo, o que se vê é uma grande mancha clara.

Para achar este asterismo, use um binóculo e encontre o cruzamento entre uma linha imaginária que parte do Cruzeiro (ângulo médio aprox. entre Gacrux e Mimosa) e outra que parte da estrela Hadar e sua vizinha.
No telescópio, após aclimatação da pupila, nota-se que a mancha possui uma textura granular.
A fotografia de longa exposição revela um enxame de estrelas de todas as cores e muito próximas, com formato inegavelmente esférico.

Frame individual com brilho realçado,
Frames empilhados no DSS, imagem em P&B realçada.

Detalhe da parte central - imagem P&B gerada após empilhamento de frames.
Talvez ele não tenha ganhado status de galáxia por não ser grande o suficiente, mas ele impressiona. Se houver algum planeta em meio àquele amontoado de estrelas, imagino que deva ter um céu noturno bem interessante (se é que chega a ficar escuro). Alguns cientistas acreditam que ele tenha sido o núcleo de uma galáxia anã que não desenvolveu, talvez por culpa de nossa própria galáxia.

Enquanto isso na periferia do sistema solar, Vênus continua próximo, brilhando muito pela manhã ao lado de Saturno, que em comparação parece anêmico e distante.
Frame individual. Exposição de 1/50s devido ao brilho excessivo que o planeta reflete. Em relação à Terra, o planeta já se mostra na metade de sua fase crescente.
Empilhamento de imagens no Registax. Não se deixe enganar, Saturno é mais de 800 vezes maior que Vênus.

Boas Festas!